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"Eu não sou um corpo que as pessoas achem que represente poder"


Vocare se alia ao GnU na promoção pela igualdade de gênero e racial na política.


Em um contexto em que a proporção de mulheres supera a de homens e, ainda mais, as pessoas pretas e pardas representam mais da metade da população, indaga-se as razões pelas quais mulheres, e, sobretudo, pretas, não sejam retratadas em espaços de poder. Como é possível que não consigamos reconhecer, em 2020, tais corpos como dignos para decidir sobre ações e projetos para o País?


Para tratar da questão, sobretudo no atual contexto de pandemia em que a visão do cuidado, esfera já bastante familiar ao papel feminino, assume relevância ainda maior, a Vocare e a organização Goianas nas Urnas (GnU) promoveram webinar em que foi discutida a importância do aporte feminino às instituições e debate políticos.


Cuidar da natureza, cuidar das pessoas e cuidar de nós mesmas são preocupações que mulheres trazem em suas experiências. Fomos educadas a pensar o ambiente doméstico, apoiando a mãe nas diversas funções que ela ocupa. Isso, por si só, mesmo não nos definindo ou resumindo, já é um desafio. Conjugar a participação no ambiente político, mantendo as atividades do ambiente doméstico, sem uma rede de apoio pode se tornar uma barreira intransponível para o acesso de mulheres aos espaços de poder. Circunstâncias macro e micro garantem um ambiente de segurança mínima para que se possa debater avanços para a sociedade. Existem, assim, condições prévias, não necessariamente formais, para que uma mulher consiga pensar para além das necessidades essenciais, suas e das pessoas a ela relacionadas.


Eleger mulheres, portanto, é melhorar, efetivamente, a discussão, por enriquecer olhares e suas singularidades no espaço político. Tornar isso um lugar de melhor representatividade étnico-racial da sociedade que nós temos é um avanço de urgência ainda maior e representa alteração incontestável dentro de uma estrutura maciçamente branca e masculina. Trata-se de problematizar o tema e compreendê-lo como problema estrutural a ser desconstruído, a partir de nós mesmos, como homens e mulheres, e no País.


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